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Oração do Angelus: o texto completo e os três horários

A oração

V. O Anjo do Senhor anunciou a Maria. R. E ela concebeu do Espírito Santo.

Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco; bendita sois vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.

Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte.

Amém.

V. Eis aqui a serva do Senhor. R. Faça-se em mim segundo a vossa palavra.

Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco; bendita sois vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.

Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte.

Amém.

V. E o Verbo se fez carne. R. E habitou entre nós.

Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco; bendita sois vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.

Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte.

Amém.

V. Rogai por nós, santa Mãe de Deus. R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Oremos: Infundi, Senhor, a vossa graça em nossas almas, para que nós, que pelo anúncio do Anjo conhecemos a encarnação de Cristo, vosso Filho, cheguemos, por sua paixão e cruz, à glória da ressurreição. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

Em resumo

O Angelus é uma oração rezada três vezes por dia, ao toque do sino: de manhã, ao meio-dia e ao entardecer. Em três versículos com resposta, três Ave-Marias e uma oração final, ela recorda a anunciação e a encarnação. No tempo pascal, é substituída pela Regina Caeli. Esta página traz o texto inteiro.

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Quando rezar

Três vezes por dia: às seis da manhã, ao meio-dia e às seis da tarde, tradicionalmente ao toque do sino. Quem reza uma só vez costuma escolher o meio-dia, que é quando ela interrompe o dia em vez de emoldurá-lo.

A estrutura do Angelus é de diálogo, e isso não é detalhe de forma. Um diz o versículo, o outro responde — foi feito para ser rezado por duas vozes, em casa ou no campo, e não em silêncio. Quem reza sozinho diz as duas partes, o que soa estranho no começo e deixa de soar depois de alguns dias.

Os três versículos contam a mesma história em três tempos: o anúncio, o consentimento e o resultado. Anunciou, faça-se, o Verbo se fez carne. É uma narrativa comprimida em três frases, e a Ave-Maria depois de cada uma funciona como o intervalo em que a frase assenta.

A frase do meio é a mais importante e a menos comentada. “Faça-se em mim segundo a vossa palavra” é a resposta de uma adolescente a um anúncio que ela não pediu e não entendia, e o Angelus a coloca no centro exato da oração. Quem reza está repetindo um consentimento, não celebrando um privilégio.

O sino é parte do desenho. A oração foi feita para acontecer no meio de outra coisa — no meio da lavoura, no meio do expediente, no meio da rua — e interrompida por um som que vem de fora. Hoje o sino virou alarme de celular, o que preserva o essencial: alguém não escolhe a hora, e é isso que impede a oração de ficar para depois.

De onde vem esta oração

Quando surgiu Formada entre os séculos XIII e XVI

O Angelus não foi escrito de uma vez: foi se juntando ao longo de três séculos, em torno de um costume prático. O elemento mais antigo é o toque do sino ao entardecer, com uma Ave-Maria — hábito difundido pelos franciscanos e recomendado por bispos ao longo do século XIII, num tempo em que o sino era o relógio público de qualquer cidade. Depois vieram o toque da manhã e o do meio-dia.

O do meio-dia é o mais recente dos três e o único com contexto político. Ele é tradicionalmente associado a uma determinação de Calisto III, em 1456, pedindo oração diante do avanço turco na Europa central. O conjunto com os três versículos, as três Ave-Marias e a oração conclusiva só aparece na forma que se reza hoje no século XVI.

Os três versículos são fórmulas litúrgicas que recolhem duas cenas do Novo Testamento: a anunciação, em Lucas 1, e a abertura do evangelho de João. Como acontece com o Pai-Nosso e a Ave-Maria, eles não são a redação de nenhuma tradução bíblica publicada neste site — são texto fixado pelo uso litúrgico. As passagens correspondentes estão logo abaixo, para comparação.

Detalhes pouco conhecidos

  • O nome é a primeira palavra do texto em latim

    “Angelus Domini nuntiavit Mariae” — daí “Angelus”. É o mesmo critério de batismo de outras orações: Ave Maria, Pater Noster, Salve Regina, Magnificat, Te Deum. Todas são conhecidas pelo começo, porque numa época em que os textos eram copiados à mão o começo era a única etiqueta disponível.

  • No tempo pascal ela desaparece do calendário

    Entre o domingo de Páscoa e Pentecostes, o Angelus dá lugar à Regina Caeli, uma antífona diferente, de tom festivo, que não fala da anunciação e sim da ressurreição. É a única oração do ciclo diário que tem substituto sazonal — quem reza o Angelus todo dia passa cerca de cinquenta dias por ano rezando outra coisa.

  • A oração final não fala de Maria

    Depois dos três versículos e das três Ave-Marias, a oração conclusiva é dirigida a Deus e o assunto dela é Cristo: pede que quem conheceu a encarnação pelo anúncio do anjo chegue, pela paixão e pela cruz, à glória da ressurreição. Em duas linhas ela atravessa o evangelho inteiro, do primeiro capítulo ao último.

  • Um dos quadros mais reproduzidos do século XIX retrata esta oração

    “O Angelus”, de Jean-François Millet, pintado entre 1857 e 1859 e hoje no Musée d’Orsay, mostra dois camponeses parados num campo, de cabeça baixa, ao som do sino do entardecer. A cena documenta o que a oração era na prática: uma interrupção do trabalho, no lugar onde a pessoa estivesse, três vezes ao dia.

O que dizem as passagens

Lucas 1:26-31

26E no sexto mês o anjo Gabriel foi enviado da parte de Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré,

27a uma virgem prometida em casamento com um homem chamado José, da descendência de Davi; e o nome da virgem era Maria.

28O anjo entrou onde ela estava, e disse: Alegra-te, agraciada; o Senhor é contigo.

29Ela perturbou-se muito por essas palavras, e se perguntava que saudação seria esta.

30Então o anjo lhe disse: Maria, não temas, porque encontraste graça diante de Deus.

31E eis que em teu ventre conceberás, darás à luz um filho, e chamarás o seu nome de Jesus.

Tradução: Edição Chama da Fé

A cena do primeiro versículo. Repare que o texto bíblico não usa a palavra “anunciou” e sim descreve um enviado que entra, saúda e explica — o vocabulário compacto do Angelus é resumo litúrgico, não citação.

Lucas 1:38

38Então Maria disse: Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim conforme a tua palavra. E o anjo ausentou-se dela.

Tradução: Edição Chama da Fé

A frase do segundo versículo, e ela é a única linha do Angelus dita por Maria. Compare com o texto acima: a Bíblia diz “Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim conforme a tua palavra”, onde a fórmula rezada diz “faça-se em mim segundo a vossa palavra”.

João 1:14

14E aquela Palavra se fez carne, e habitou entre nós; (e vimos sua glória, como glória do unigênito do Pai) cheio de graça e de verdade.

Tradução: Edição Chama da Fé

A fonte do terceiro versículo, e o ponto em que a oração muda de registro: sai da cena doméstica de Lucas e vai para a abertura solene de João. As duas metades da mesma afirmação, uma contada e a outra definida.

Gálatas 4:4-5

4Mas quando o tempo se completou, Deus enviou o seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a Lei,

5para redimir os que estavam sob a Lei, a fim de que nós recebêssemos a adoção como filhos.

Tradução: Edição Chama da Fé

A formulação mais antiga da encarnação no Novo Testamento, anterior aos evangelhos: nascido de mulher, nascido sob a Lei. É o resumo que a oração conclusiva do Angelus retoma, quando liga o anúncio do anjo à cruz e à ressurreição.

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