Oração do Angelus: o texto completo e os três horários
A oração
V. O Anjo do Senhor anunciou a Maria. R. E ela concebeu do Espírito Santo.
Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco; bendita sois vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte.
Amém.
V. Eis aqui a serva do Senhor. R. Faça-se em mim segundo a vossa palavra.
Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco; bendita sois vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte.
Amém.
V. E o Verbo se fez carne. R. E habitou entre nós.
Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco; bendita sois vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte.
Amém.
V. Rogai por nós, santa Mãe de Deus. R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
Oremos: Infundi, Senhor, a vossa graça em nossas almas, para que nós, que pelo anúncio do Anjo conhecemos a encarnação de Cristo, vosso Filho, cheguemos, por sua paixão e cruz, à glória da ressurreição. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.
Em resumo
O Angelus é uma oração rezada três vezes por dia, ao toque do sino: de manhã, ao meio-dia e ao entardecer. Em três versículos com resposta, três Ave-Marias e uma oração final, ela recorda a anunciação e a encarnação. No tempo pascal, é substituída pela Regina Caeli. Esta página traz o texto inteiro.
- Escrito por
- Maria Luisa Navarro Schmitt
- Revisado por
- Raphael Navarro Schmitt
- Publicado em
- Tempo de leitura
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Quando rezar
Três vezes por dia: às seis da manhã, ao meio-dia e às seis da tarde, tradicionalmente ao toque do sino. Quem reza uma só vez costuma escolher o meio-dia, que é quando ela interrompe o dia em vez de emoldurá-lo.
A estrutura do Angelus é de diálogo, e isso não é detalhe de forma. Um diz o versículo, o outro responde — foi feito para ser rezado por duas vozes, em casa ou no campo, e não em silêncio. Quem reza sozinho diz as duas partes, o que soa estranho no começo e deixa de soar depois de alguns dias.
Os três versículos contam a mesma história em três tempos: o anúncio, o consentimento e o resultado. Anunciou, faça-se, o Verbo se fez carne. É uma narrativa comprimida em três frases, e a Ave-Maria depois de cada uma funciona como o intervalo em que a frase assenta.
A frase do meio é a mais importante e a menos comentada. “Faça-se em mim segundo a vossa palavra” é a resposta de uma adolescente a um anúncio que ela não pediu e não entendia, e o Angelus a coloca no centro exato da oração. Quem reza está repetindo um consentimento, não celebrando um privilégio.
O sino é parte do desenho. A oração foi feita para acontecer no meio de outra coisa — no meio da lavoura, no meio do expediente, no meio da rua — e interrompida por um som que vem de fora. Hoje o sino virou alarme de celular, o que preserva o essencial: alguém não escolhe a hora, e é isso que impede a oração de ficar para depois.
De onde vem esta oração
Quando surgiu Formada entre os séculos XIII e XVI
O Angelus não foi escrito de uma vez: foi se juntando ao longo de três séculos, em torno de um costume prático. O elemento mais antigo é o toque do sino ao entardecer, com uma Ave-Maria — hábito difundido pelos franciscanos e recomendado por bispos ao longo do século XIII, num tempo em que o sino era o relógio público de qualquer cidade. Depois vieram o toque da manhã e o do meio-dia.
O do meio-dia é o mais recente dos três e o único com contexto político. Ele é tradicionalmente associado a uma determinação de Calisto III, em 1456, pedindo oração diante do avanço turco na Europa central. O conjunto com os três versículos, as três Ave-Marias e a oração conclusiva só aparece na forma que se reza hoje no século XVI.
Os três versículos são fórmulas litúrgicas que recolhem duas cenas do Novo Testamento: a anunciação, em Lucas 1, e a abertura do evangelho de João. Como acontece com o Pai-Nosso e a Ave-Maria, eles não são a redação de nenhuma tradução bíblica publicada neste site — são texto fixado pelo uso litúrgico. As passagens correspondentes estão logo abaixo, para comparação.
Detalhes pouco conhecidos
O nome é a primeira palavra do texto em latim
No tempo pascal ela desaparece do calendário
A oração final não fala de Maria
Um dos quadros mais reproduzidos do século XIX retrata esta oração
O que dizem as passagens
26E no sexto mês o anjo Gabriel foi enviado da parte de Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré,
27a uma virgem prometida em casamento com um homem chamado José, da descendência de Davi; e o nome da virgem era Maria.
28O anjo entrou onde ela estava, e disse: Alegra-te, agraciada; o Senhor é contigo.
29Ela perturbou-se muito por essas palavras, e se perguntava que saudação seria esta.
30Então o anjo lhe disse: Maria, não temas, porque encontraste graça diante de Deus.
31E eis que em teu ventre conceberás, darás à luz um filho, e chamarás o seu nome de Jesus.
A cena do primeiro versículo. Repare que o texto bíblico não usa a palavra “anunciou” e sim descreve um enviado que entra, saúda e explica — o vocabulário compacto do Angelus é resumo litúrgico, não citação.
38Então Maria disse: Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim conforme a tua palavra. E o anjo ausentou-se dela.
A frase do segundo versículo, e ela é a única linha do Angelus dita por Maria. Compare com o texto acima: a Bíblia diz “Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim conforme a tua palavra”, onde a fórmula rezada diz “faça-se em mim segundo a vossa palavra”.
14E aquela Palavra se fez carne, e habitou entre nós; (e vimos sua glória, como glória do unigênito do Pai) cheio de graça e de verdade.
A fonte do terceiro versículo, e o ponto em que a oração muda de registro: sai da cena doméstica de Lucas e vai para a abertura solene de João. As duas metades da mesma afirmação, uma contada e a outra definida.
4Mas quando o tempo se completou, Deus enviou o seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a Lei,
5para redimir os que estavam sob a Lei, a fim de que nós recebêssemos a adoção como filhos.
A formulação mais antiga da encarnação no Novo Testamento, anterior aos evangelhos: nascido de mulher, nascido sob a Lei. É o resumo que a oração conclusiva do Angelus retoma, quando liga o anúncio do anjo à cruz e à ressurreição.