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Quem foi Maria, mãe de Jesus?

Resposta rápida

Maria foi a mulher judia de Nazaré que, segundo os Evangelhos, concebeu Jesus pelo Espírito Santo e aceitou o anúncio do anjo. Aparece no nascimento, em Caná, ao pé da cruz e entre os que oravam depois da ascensão. Católicos e evangélicos honram Maria de formas diferentes.

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Maria aparece em poucas cenas, e cada uma é curta. Somadas, ocupam bem menos espaço do que a imaginação popular supõe — e isso vale tanto para quem cresceu rezando o terço quanto para quem cresceu ouvindo que se fala demais nela. O que os Evangelhos dão é concentrado: o anúncio do anjo em Nazaré, o cântico na casa de Isabel, o nascimento, a advertência de Simeão no Templo, um episódio da infância de Jesus, o casamento em Caná, a cruz e o grupo em oração depois da ascensão.

A primeira cena já traz uma pergunta em vez de uma aceitação automática. Diante do anúncio, Maria pergunta como aquilo se daria, e só depois responde. A resposta dela não é entusiasmo: é consentimento, dado por alguém que acabou de ouvir que a vida vai sair do trilho previsto. Os relatos não escondem o custo — pouco depois, no Templo, Simeão anuncia a ela uma espada que lhe atravessará a alma.

O texto mais longo posto na boca de Maria é o cântico conhecido como Magnificat, e ele costuma surpreender quem só o conhece de ouvido. Não é uma canção de ninar. É um poema sobre reversão: poderosos que descem do trono, famintos que se enchem, humildes que são levantados. Quem lê esperando doçura encontra política de Deus, no vocabulário dos profetas de Israel.

Depois disso, Maria aparece nos três momentos que os cristãos consideram decisivos. Em Caná, é ela quem percebe a falta e quem instrui os serventes a fazerem o que ele mandar — a última fala dela registrada em todo o Novo Testamento. Na cruz, está entre as poucas pessoas que não fugiram, e Jesus a confia a um discípulo. Em Atos, está no grupo que orava antes de Pentecostes, ou seja, dentro da primeira comunidade cristã, e não à margem dela.

É a partir daqui que as tradições se separam, e a separação é real. Três pontos concentram a distância: se Maria permaneceu virgem depois do nascimento de Jesus, quem são as pessoas que os Evangelhos chamam de irmãos dele, e se cabe dirigir a ela um pedido de oração. Esta página não decide nenhum dos três. Apresenta o que cada tradição sustenta e em que texto ela se apoia, e a nota abaixo faz isso lado a lado.

O que dizem as passagens

Lucas 1:30-35

30Então o anjo lhe disse: Maria, não temas, porque encontraste graça diante de Deus.

31E eis que em teu ventre conceberás, darás à luz um filho, e chamarás o seu nome de Jesus.

32Ele será grande, e será chamado Filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu ancestral.

33E reinará eternamente na casa de Jacó; o seu reino não terá fim.

34Maria disse ao anjo: Como será isso? Pois não conheço intimamente homem algum.

35O anjo lhe respondeu: O Espírito Santo virá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que nascerá será chamado Filho de Deus.

Tradução: Edição Chama da Fé

O anúncio, com a pergunta de Maria no meio. Vale reparar na estrutura: o anjo diz o que vai acontecer, ela pede explicação, e só então recebe a resposta sobre o Espírito Santo. O texto dá a ela espaço para não entender antes de aceitar.

Lucas 1:38

38Então Maria disse: Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim conforme a tua palavra. E o anjo ausentou-se dela.

Tradução: Edição Chama da Fé

O consentimento, em uma frase. É o versículo que as duas tradições citam com o mesmo peso, ainda que tirem dele conclusões diferentes — católicos como modelo de cooperação com a graça, evangélicos como modelo de obediência de fé.

Lucas 1:46-49

46Então Maria disse: A minha alma engrandece ao Senhor,

47e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador.

48Porque ele olhou para a humilde condição da sua serva; pois eis que desde agora todas as gerações me chamarão bendita.

49Pois o Poderoso me fez grandes coisas; e santo é o seu nome.

Tradução: Edição Chama da Fé

A abertura do Magnificat. A frase sobre as gerações que a chamarão bendita está na boca da própria Maria, o que costuma reposicionar a discussão: não é um título que a Igreja inventou depois, é uma expectativa registrada dentro do texto.

João 2:3-5

3E tendo faltado vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Não têm vinho.

4Jesus lhe disse: O que eu tenho contigo, mulher? A minha hora ainda não chegou.

5Sua mãe disse aos serventes: Fazei tudo quanto ele vos disser.

Tradução: Edição Chama da Fé

Caná. Maria constata a falta, Jesus responde com uma ressalva sobre a hora dele, e ela instrui os serventes mesmo assim. As últimas palavras dela no Novo Testamento apontam para ele, e não para si mesma — detalhe que as duas tradições costumam sublinhar, por razões diferentes.

João 19:26-27

26E vendo Jesus a sua mãe, e ao discípulo a quem amava, que ali estava, disse a sua mãe: Mulher, eis aí teu filho.

27Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa .

Tradução: Edição Chama da Fé

A cena da cruz, e um dos textos mais disputados desta página. Católicos leem no gesto um cuidado que só faria sentido se Maria não tivesse outros filhos; evangélicos leem um filho providenciando amparo para a mãe em circunstância extrema.

Atos 1:14

14Todos estes perseveravam concordando em orações, e petições, com as mulheres, com Maria a mãe de Jesus, e com os irmãos dele.

Tradução: Edição Chama da Fé

A última aparição de Maria na Bíblia: em oração, no meio da comunidade, antes de Pentecostes. O mesmo versículo menciona os irmãos de Jesus ali presentes, o que o coloca também no centro da divergência sobre quem eram eles.

Marcos 6:3

3Não é este o carpinteiro, filho de Maria, e irmão de Tiago, de José, de Judas, e de Simão? E não estão aqui as suas irmãs conosco?E ofenderam-se nele.

Tradução: Edição Chama da Fé

O versículo que a pergunta sobre os irmãos de Jesus sempre alcança. Ele nomeia quatro homens e menciona irmãs, e é sobre o alcance dessa palavra — parentesco próximo ou irmãos no sentido corrente — que as tradições divergem. A nota abaixo apresenta as duas leituras.

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