Quem foi Jesus Cristo?
Resposta rápida
Jesus de Nazaré foi um judeu que viveu na Galileia no século I, anunciou a chegada do Reino de Deus e foi crucificado em Jerusalém sob Pôncio Pilatos. Os cristãos afirmam mais: que ele é o Filho de Deus, ressuscitado ao terceiro dia, e que nele Deus assumiu uma vida humana.
- Escrito por
- Raphael Navarro Schmitt
- Revisado por
- Maria Luisa Navarro Schmitt
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A pergunta tem duas camadas, e confundi-las é o que trava a maioria das conversas sobre o assunto. Uma é histórica: o que se sabe sobre um homem chamado Jesus, nascido no fim do reinado de Herodes, morto sob Pôncio Pilatos. A outra é de fé: quem esse homem é. A primeira camada pode ser examinada por qualquer pessoa; a segunda é uma confissão, e o próprio texto que a sustenta admite isso sem disfarce.
O que os Evangelhos narram cabe em poucas linhas. Jesus cresceu em Nazaré, na Galileia, e começou a atuar publicamente por volta dos trinta anos, depois de ser batizado por João no Jordão. O conteúdo da sua pregação foi o Reino de Deus — anunciado como algo que já estava chegando, não como promessa distante. Ensinou em parábolas, curou, comeu com gente que a religião do tempo mantinha à distância, entrou em conflito com a liderança do Templo e foi executado em Jerusalém numa Páscoa, na forma de morte que Roma reservava a escravos e sediciosos.
A camada seguinte é onde a resposta deixa de ser descrição. As primeiras comunidades cristãs não afirmaram apenas que Jesus foi um mestre notável: afirmaram que ele voltou dos mortos e que nele Deus se tornou humano. Essa confissão já aparece formulada em cartas escritas poucas décadas depois da crucificação, antes mesmo de os Evangelhos serem redigidos — o que significa que ela não foi um acréscimo tardio de gente distante dos fatos.
Vale reparar em como os textos se apresentam. Nenhum Evangelho se anuncia como biografia neutra; João diz por escrito que registrou aquilo para que o leitor creia. Saber disso não desqualifica a fonte, e sim permite lê-la pelo que ela é. E o próprio Jesus, nos relatos, devolve a pergunta em vez de respondê-la por decreto: pergunta aos discípulos quem eles dizem que ele é. A pergunta continua aberta na mesma forma até hoje.
O que dizem as passagens
4E José também subiu da Galileia, da cidade de Nazaré à Judeia, à cidade de Davi, que se chama Belém; (porque ele era da casa e família de Davi.)
5Para se registrar com Maria, com ele prometida em casamento, que estava grávida.
6E aconteceu que, enquanto eles ali, completaram-se os dias em que ela havia de dar à luz.
7E deu à luz seu filho primogênito, e o envolveu em panos, e o deitou numa manjedoura; porque não havia lugar para eles na hospedaria.
O nascimento ancorado em lugar, família e circunstância administrativa — um recenseamento, uma viagem, uma hospedaria cheia. É o tipo de detalhe que situa a história num mapa e num calendário, e não num tempo indefinido de lenda.
23E o mesmo Jesus começou quando tinha cerca de trinta anos, sendo (como se pensava) filho de José, filho de Eli,
A única indicação de idade em todo o Novo Testamento sobre o início da atuação pública. Note a prudência da fórmula: "cerca de" trinta anos, e não um número exato — o texto informa o que sabe e para onde não sabe.
14Depois que João foi preso, Jesus veio para a Galileia, pregando o Evangelho de Deus,
15e dizendo: O tempo se cumpriu, e o Reino de Deus está perto; arrependei-vos, e crede no Evangelho.
O resumo mais curto do que Jesus pregava, colocado por Marcos logo na abertura. O assunto central não é ele mesmo: é o Reino de Deus, anunciado como algo que chegou perto, com um pedido de mudança de vida junto.
15Ele lhes disse: E vós, quem dizeis que eu sou?
16E Simão Pedro respondeu: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo!
A pergunta desta página, feita pelo próprio Jesus aos discípulos, e a resposta de Pedro. É o momento em que os Evangelhos param de narrar e cobram uma posição de quem está lendo.
6mesmo ele sendo em forma de Deus, não considerou a igualdade a Deus como algo para se obter vantagem;
7Ao contrário, ele esvaziou a si mesmo, tomando a forma de servo, e se tornou semelhante aos homens;
8e, quando se encontrava em forma humana, ele humilhou a si mesmo, sendo obediente até a morte, e morte de cruz.
Um hino que Paulo cita, e não compõe — ou seja, um texto que já circulava nas comunidades antes desta carta. Ele descreve Jesus descendo de condição divina até a morte de cruz, o que mostra a confissão sobre a identidade dele formada muito cedo.
31Porém estes estão escritos, para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus; e para que crendo, tenhais vida em seu nome.
O propósito do livro, escrito pelo próprio autor: os relatos foram selecionados para levar à fé. É a declaração de intenção que permite ler o Evangelho pelo que ele é, em vez de cobrar dele a neutralidade que ele nunca prometeu.