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Quem foi Jonas?

Quando viveu O profeta é situado por volta do século VIII a.C.

Em resumo

Jonas foi um profeta que recebeu ordem de pregar em Nínive, capital assíria, e fugiu na direção oposta. Lançado ao mar numa tempestade, foi engolido por um grande peixe e devolvido à terra. Pregou, a cidade se converteu, e o livro termina com ele furioso porque a destruição não veio.

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Jonas tem quatro capítulos, cabe em dez minutos de leitura e é provavelmente o livro bíblico mais mal resumido que existe. A versão infantil termina na praia, com o profeta cuspido pelo peixe e pronto para obedecer. O livro tem mais dois capítulos depois disso, e são os dois em que ele fica interessante.

O tema não é desobediência e castigo. É o desconforto de um profeta que descobre que a misericórdia divina inclui gente que ele preferia ver destruída — e o livro termina antes de dizer se ele aceitou isso.

A ordem e a fuga

A missão é ir a Nínive, capital do império assírio — o poder militar que, na memória de Israel, estava associado a deportações e a crueldade sistemática. Jonas se levanta e compra passagem para Társis, que ficava no extremo oposto do mundo conhecido.

A tempestade que vem em seguida põe em risco um navio inteiro de marinheiros estrangeiros, e o livro faz questão de mostrar que eles se comportam melhor do que o profeta: rezam cada um ao seu deus, resistem a jogá-lo ao mar, tentam remar de volta à terra e só cedem quando não há alternativa. Depois oferecem sacrifícios.

Jonas, enquanto isso, está dormindo no fundo do navio, e é acordado pelo capitão do barco. É a primeira de várias inversões do livro: os pagãos agem melhor do que o homem de Deus, e o texto não faz o menor esforço para disfarçar isso.

O grande peixe

O animal aparece num único versículo, e a informação é econômica: um grande peixe, preparado para engolir Jonas, e um período de três dias e três noites lá dentro. O texto não descreve a espécie, não descreve o interior e não descreve a sensação.

Repare no número do versículo, porque ele varia. Nesta edição, o peixe aparece no capítulo 1, versículo 17. Em Bíblias que seguem outra divisão, o mesmo versículo é o primeiro do capítulo 2, e todo o resto do capítulo desloca um número. Se uma referência a Jonas 2 não bater, é isto.

A oração que vem em seguida é um salmo montado com fórmulas conhecidas — descida ao fundo, águas, algas, as trancas da terra — e termina com uma promessa de sacrifício. Vale notar o que ela não tem: nenhum pedido de perdão pela fuga.

Jonas 1:17

17Mas o SENHOR havia preparado um grande peixe para que tragasse a Jonas; e Jonas esteve três dias e três noites no ventre do peixe.

Tradução: Edição Chama da Fé

O versículo do peixe, inteiro. É grande peixe, e não baleia — e o texto não diz mais nada sobre o animal, nem aqui nem em nenhum outro ponto do livro.

Jonas 2:1-2

1E Jonas orou ao SENHOR seu Deus, desde as entranhas do peixe,

2E disse: Clamei de minha angústia ao SENHOR, e ele me respondeu; do ventre do mundo dos mortos gritei, e tu ouviste minha voz.

Tradução: Edição Chama da Fé

A abertura da oração. Ela é de agradecimento por resgate já ocorrido, e não de súplica — o que é curioso, considerando que quem reza ainda está dentro do peixe.

Jonas 2:10

10E o SENHOR falou ao peixe, e este vomitou a Jonas em terra firme.

Tradução: Edição Chama da Fé

O fim do episódio em uma frase, e sem cerimônia: o peixe recebe uma ordem e devolve Jonas em terra firme. O livro gasta menos palavras nisso do que qualquer recontagem moderna.

Nínive se converte

A pregação de Jonas é a mais curta da Bíblia: uma frase, com prazo e sentença, sem chamado ao arrependimento e sem oferta de alternativa. Ele atravessa a cidade por um dia de caminho anunciando a destruição.

E funciona. A cidade inteira acredita, decreta jejum e se veste de saco, do maior ao menor. O rei desce do trono, senta na cinza e estende o jejum aos animais — um detalhe que soa a exagero deliberado e que prepara o último versículo do livro.

Deus vê a mudança e desiste do mal anunciado. É aqui que a história de sucesso mais espetacular de todo o profetismo bíblico se transforma, para o profeta, num problema pessoal.

Jonas 3:4-5

4E Jonas começou a entrar pela cidade, caminho de um dia, e pregava dizendo: Daqui a quarenta dias Nínive será destruída.

5E os homens de Nínive creram em Deus; e convocaram um jejum, e se vestiram de sacos, desde o maior até o menor deles.

Tradução: Edição Chama da Fé

Repare no tamanho da mensagem e no tamanho da resposta. Uma frase de ameaça produz conversão geral — desproporção que o livro constrói de propósito, porque é ela que vai irritar Jonas.

Jonas 3:10

10E Deus viu a atitude deles, que se converteram de seu mau caminho; então Deus se arrependeu do mal que tinha dito que lhes faria, e não o fez.

Tradução: Edição Chama da Fé

O versículo que dá o nó do livro: a mudança de conduta da cidade e a mudança de decisão de Deus, na mesma frase.

O quarto capítulo, que quase ninguém conta

Jonas fica furioso, e explica por quê. Ele diz que sabia desde o começo: sabia que Deus é clemente, misericordioso, lento para se irar e disposto a voltar atrás — e foi exatamente por isso que fugiu. Ele não temia falhar; temia acertar.

Em seguida pede a morte, sai da cidade e monta um abrigo para assistir ao que vai acontecer. Uma planta cresce e lhe dá sombra, e ele se alegra muito. No dia seguinte um verme a ataca, ela seca, o sol e o vento chegam juntos, e ele pede a morte outra vez.

O livro se encerra com Deus argumentando a partir da planta: se Jonas se compadeceu de um arbusto que não plantou, por que não haveria de se compadecer de uma cidade com mais de cento e vinte mil pessoas incapazes de distinguir a mão direita da esquerda — e muitos animais.

A última palavra do livro é sobre gado. E o profeta não responde: o texto acaba na pergunta, e o leitor nunca fica sabendo o que Jonas disse.

Jonas 4:1-3

1Mas Jonas se desgostou muito, e se encheu de ira.

2E orou ao SENHOR, e disse: Ah, SENHOR, não foi isto o que eu dizia enquanto ainda estava em minha terra? Por isso me preveni fugindo a Társis; porque sabia eu que tu és Deus gracioso e misericordioso, que demoras a te irar, tens grande misericórdia, e te arrependes do mal.

3Agora pois, ó SENHOR, peço-te que me mates, porque é melhor para mim morrer do que viver.

Tradução: Edição Chama da Fé

A confissão do motivo real da fuga, feita por ele mesmo. É uma das poucas vezes na Bíblia em que alguém acusa Deus de ser misericordioso demais.

Jonas 4:6-8

6E o SENHOR Deus preparou uma planta, e a fez crescer sobre Jonas para que fizesse sombra sobre sua cabeça, e lhe aliviasse de seu mal-estar; e Jonas se alegrou grandemente por causa da planta.

7Mas Deus preparou uma lagarta no dia seguinte ao amanhecer, a qual feriu a planta, e ela se secou.

8E aconteceu que, ao levantar do sol, Deus preparou um quente vento oriental; e o sol feriu a Jonas na cabeça, de modo que ele se desmaiava, e desejava a morte, dizendo: Melhor é para mim morrer do que viver.

Tradução: Edição Chama da Fé

Nesta edição, o texto diz apenas planta; outras trazem hera ou aboboreira. A espécie não importa para o argumento — o que importa é que ela cresceu sozinha e murchou sozinha, e que ele se apegou nesse intervalo.

Jonas 4:11

11E não teria eu pena de Nínive, aquela grande cidade onde há mais de cem e vinte mil pessoas que não sabem a diferença entre sua mão direita e a esquerda, e muitos animais?

Tradução: Edição Chama da Fé

O último versículo do livro é uma pergunta sem resposta, e ela termina nos animais. Terminar assim é uma decisão literária, e não um final perdido.

O que o texto não diz

Personagens bíblicos acumulam camadas de tradição que a Escritura não sustenta. Separar as duas coisas não diminui a história — devolve a ela o que está de fato escrito.

  • O que se costuma dizer

    Jonas foi engolido por uma baleia.

    O que a Escritura traz

    O livro de Jonas diz grande peixe, e não usa a palavra baleia em nenhum de seus quatro capítulos. A palavra entra pela citação que Mateus 12:40 faz do episódio — e ali ela está mesmo, nas três edições consultadas. O termo grego usado por Mateus designa um grande animal marinho, sem espécie definida.

  • O que se costuma dizer

    O livro termina com Jonas arrependido e reconciliado.

    O que a Escritura traz

    O livro termina numa pergunta feita a Jonas, e o texto acaba sem a resposta dele. As últimas palavras são sobre a cidade e sobre os animais dela. Quem escreveu decidiu não contar o desfecho, e essa decisão é parte do que o livro quer dizer.

  • O que se costuma dizer

    Jonas fugiu por medo — dos ninivitas, ou da dificuldade da missão.

    O que a Escritura traz

    Ele dá o motivo com todas as letras no capítulo 4, e é outro: sabia que Deus perdoaria, e não queria ver aquilo acontecer com aquela cidade. A explicação vem depois de tudo dar certo, e é dita como acusação.

  • O que se costuma dizer

    A planta que deu sombra a Jonas era uma aboboreira.

    O que a Escritura traz

    Depende da edição: a exibida aqui diz apenas planta, e outras trazem hera, aboboreira ou mamona. O termo original é raro e as traduções nunca chegaram a acordo. O que a cena exige é uma planta que cresça depressa e morra depressa.

Onde essa pessoa aparece

Jonas 1:17

17Mas o SENHOR havia preparado um grande peixe para que tragasse a Jonas; e Jonas esteve três dias e três noites no ventre do peixe.

Tradução: Edição Chama da Fé

O versículo do grande peixe. Em algumas Bíblias ele é o primeiro do capítulo 2 — vale conferir na sua.

Jonas 2:1-2

1E Jonas orou ao SENHOR seu Deus, desde as entranhas do peixe,

2E disse: Clamei de minha angústia ao SENHOR, e ele me respondeu; do ventre do mundo dos mortos gritei, e tu ouviste minha voz.

Tradução: Edição Chama da Fé

A abertura da oração feita de dentro do peixe, em tom de agradecimento e não de súplica.

Jonas 3:4-5

4E Jonas começou a entrar pela cidade, caminho de um dia, e pregava dizendo: Daqui a quarenta dias Nínive será destruída.

5E os homens de Nínive creram em Deus; e convocaram um jejum, e se vestiram de sacos, desde o maior até o menor deles.

Tradução: Edição Chama da Fé

A pregação mais curta da Bíblia e a conversão imediata de uma cidade inteira.

Jonas 4:1-3

1Mas Jonas se desgostou muito, e se encheu de ira.

2E orou ao SENHOR, e disse: Ah, SENHOR, não foi isto o que eu dizia enquanto ainda estava em minha terra? Por isso me preveni fugindo a Társis; porque sabia eu que tu és Deus gracioso e misericordioso, que demoras a te irar, tens grande misericórdia, e te arrependes do mal.

3Agora pois, ó SENHOR, peço-te que me mates, porque é melhor para mim morrer do que viver.

Tradução: Edição Chama da Fé

A explicação da fuga, dada pelo próprio profeta, e o primeiro pedido de morte.

Jonas 4:11

11E não teria eu pena de Nínive, aquela grande cidade onde há mais de cem e vinte mil pessoas que não sabem a diferença entre sua mão direita e a esquerda, e muitos animais?

Tradução: Edição Chama da Fé

A pergunta final, que fecha o livro sem resposta.

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