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Quem foi Elias?

Quando viveu Reino do Norte, por volta do século IX a.C.

Em resumo

Elias foi um profeta do Reino do Norte que enfrentou o rei Acabe e os profetas de Baal. Anunciou uma seca, foi sustentado por uma viúva estrangeira, venceu o duelo do monte Carmelo e, logo depois, fugiu para o deserto pedindo a morte. O texto diz que subiu ao céu num turbilhão.

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Elias entra na Bíblia sem apresentação. Não há genealogia, não há relato de chamado, não há infância: ele simplesmente aparece diante do rei e anuncia que não haverá chuva. É uma das entradas mais abruptas de qualquer personagem bíblico, e o efeito é proposital.

A história dele ocupa seis capítulos e tem uma estrutura que quase nenhuma pregação segue até o fim: a maior demonstração de poder do Antigo Testamento é imediatamente seguida por um colapso. O capítulo 18 termina com fogo do céu; o 19 começa com um homem fugindo a pé e pedindo para morrer.

A seca, os corvos e a viúva

A primeira fala de Elias é um anúncio de seca, dirigido a Acabe, rei de Israel. O pano de fundo é religioso e econômico ao mesmo tempo: Baal era cultuado como o deus que trazia a chuva, e uma seca prolongada é um argumento contra ele feito no terreno em que ele deveria ser mais forte.

Depois do anúncio, o profeta some. É escondido junto a um riacho, alimentado por corvos, e quando o riacho seca é mandado para Sarepta, cidade fenícia — território de Jezabel, a rainha que o quer morto. Ali é sustentado por uma viúva estrangeira que estava preparando a última refeição antes de morrer de fome com o filho.

A cena da farinha e do azeite costuma ser contada como milagre de provisão, e é. Mas vale reparar em quem sustenta quem: o profeta de Israel passa a depender de uma mulher pobre de outro povo, e o texto insiste em que a comida dela é o que resta.

1 Reis 17:1

1Então Elias Tisbita, que era dos moradores de Gileade, disse a Acabe: Vive o SENHOR Deus de Israel, diante do qual estou, que não haverá chuva nem orvalho nestes anos, a não ser por minha palavra.

Tradução: Edição Chama da Fé

A primeira aparição dele, e já em confronto direto com o rei. Repare que ele condiciona o fim da seca à própria palavra — uma afirmação de autoridade que o resto do ciclo vai testar.

1 Reis 17:12-16

12E ela respondeu: Vive o SENHOR Deus teu, que não tenho pão cozido; que somente um punhado de farinha tenho no jarro, e um pouco de azeite em uma botija: e agora cozia dois gravetos, para entrar-me e prepará-lo para mim e para meu filho, e que o comamos, e morramos.

13E Elias lhe disse: Não tenhas temor; vai, face como disseste: porém faze-me a mim primeiro disso uma pequena torta cozida debaixo da cinza, e traze-a a mim; e depois farás para ti e para teu filho.

14Porque o SENHOR Deus de Israel disse assim: O jarro da farinha não esvaziará, nem se diminuirá a botija do azeite, até aquele dia que o SENHOR dará chuva sobre a face da terra.

15Então ela foi, e fez como lhe disse Elias; e comeu ele, e ela e sua casa, muitos dias.

16E o jarro da farinha não esvaziou, nem minguou a botija do azeite, conforme à palavra do SENHOR que havia dito por Elias.

Tradução: Edição Chama da Fé

A resposta da viúva descreve o inventário exato da despensa e o plano dela: comer e morrer. É contra esse fundo que o pedido de Elias — que ela faça primeiro para ele — soa tão duro quanto é.

O duelo do monte Carmelo

Três anos depois, Elias reaparece e propõe um teste público. Dois altares, dois sacrifícios, nenhum fogo aceso por mão humana: responde o deus que mandar fogo. A pergunta que ele faz ao povo antes de começar é a frase mais afiada do episódio, e ela é sobre indecisão, não sobre ateísmo — o problema não é que o povo não creia, é que crê nos dois ao mesmo tempo.

A narrativa dedica bastante espaço à tentativa dos profetas de Baal, e o tom é abertamente irônico: Elias sugere que o deus deles esteja viajando, ocupado ou dormindo. É um dos raros trechos de deboche explícito na Bíblia.

Quando chega a vez dele, Elias encharca o altar de água antes de rezar. A oração é curta e tem um pedido claro: que fique manifesto quem é Deus em Israel e que aquilo foi feito por ordem, e não por iniciativa própria. O fogo cai, e o povo responde.

1 Reis 18:21

21E aproximando-se Elias a todo o povo, disse: Até quando hesitareis vós entre dois pensamentos? Se o SENHOR é Deus, segui-lhe; e se Baal, ide depois dele. E o povo não respondeu palavra.

Tradução: Edição Chama da Fé

A pergunta sobre hesitar entre dois pensamentos, e o detalhe que fecha o versículo: o povo não responde nada. O silêncio é a resposta mais eloquente da cena.

1 Reis 18:36-38

36E quando chegou a hora de oferecer-se o holocausto, chegou-se o profeta Elias, e disse: SENHOR Deus de Abraão, de Isaque, e de Israel, seja hoje manifesto que tu és Deus em Israel, e que eu sou teu servo, e que por mandado teu fiz todas estas coisas.

37Responde-me, SENHOR, responde-me; para que conheça este povo que tu, ó SENHOR, és o Deus, e que tu voltaste atrás o coração deles.

38Então caiu fogo do SENHOR, o qual consumiu o holocausto, e a lenha, e as pedras, e o pó, e ainda sugou as águas que estavam no sulco.

Tradução: Edição Chama da Fé

A oração e o fogo, em três versículos. Note que o pedido de Elias não é por espetáculo e sim por reconhecimento — que se saiba de quem partiu a ordem.

O deserto, o junípero e o pedido de morte

O capítulo 19 começa com uma ameaça de Jezabel e com Elias correndo. Ele entra no deserto, senta debaixo de um arbusto e pede para morrer, dizendo que não é melhor do que os pais dele. É o mesmo homem que, no dia anterior, tinha enfrentado o país inteiro sozinho.

O que acontece em seguida é uma das passagens mais humanas do Antigo Testamento, e vale reparar na ordem das coisas. Ninguém o repreende. Um anjo o toca e manda comer. Ele come e volta a dormir. O anjo o toca de novo e manda comer outra vez, porque o caminho é longo. Só depois de duas refeições e dois sonos ele se levanta e anda.

A conversa teológica só vem depois, numa caverna do Horebe, e mesmo ali começa com uma pergunta em vez de uma acusação. Elias reclama de estar sozinho — e o texto vai informar, mais adiante, que ele estava errado nessa conta.

1 Reis 19:4-8

4E ele se foi pelo deserto um dia de caminho, e veio e sentou-se debaixo de um junípero; e desejando morrer, disse: Basta já, ó SENHOR, tira minha alma; que não sou eu melhor que meus pais.

5E lançando-se debaixo do junípero, ficou dormido: e eis que logo um anjo que lhe tocou, e lhe disse: Levanta-te, come.

6Então ele olhou, e eis que a sua cabeceira uma torta cozida sobre as ascuas, e um vaso de água: e comeu e bebeu e voltou-se a dormir.

7E voltando o anjo do SENHOR a segunda vez, tocou-lhe, dizendo: Levanta-te, come: porque grande caminho te resta.

8Levantou-se, pois, e comeu e bebeu; e caminhou com a força daquela comida quarenta dias e quarenta noites, até o monte de Deus, Horebe.

Tradução: Edição Chama da Fé

Cinco versículos em que o socorro é comida, água e sono, aplicados duas vezes antes de qualquer palavra sobre missão. Poucos textos religiosos antigos tratam esgotamento com esse realismo.

1 Reis 19:11-13

11E ele lhe disse: Sai fora, e põe-te no monte diante do SENHOR. E eis que o SENHOR que passava, e um grande e poderoso vento que rompia os montes, e quebrava as penhas diante do SENHOR: mas o SENHOR não estava no vento. E depois do vento um terremoto: mas o SENHOR não estava no terremoto.

12E depois do terremoto um fogo: mas o SENHOR não estava no fogo. E depois do fogo uma voz agradável e suave.

13E quando o ouviu Elias, cobriu seu rosto com seu manto, e saiu, e parou-se à porta da cova. E eis que chegou uma voz a ele, dizendo: Que fazes aqui, Elias?

Tradução: Edição Chama da Fé

A sequência é vento, terremoto e fogo — e o texto diz três vezes onde o Senhor não estava. O que vem depois, nesta edição, é uma voz agradável e suave; outras edições descrevem ali um sopro leve, e não uma voz. Vale conferir na sua Bíblia qual das duas aparece.

A saída de cena

O fim de Elias é contado em 2 Reis 2, e é curto. Ele atravessa o Jordão com Eliseu, pergunta o que o discípulo quer antes de ser levado, e recebe um pedido difícil: porção dobrada do espírito dele.

Então vem o versículo que a memória popular reescreveu. Aparecem ali um carro e cavalos em chamas, e a função deles na frase é apartar mestre e discípulo. A subida, essa, o texto atribui ao turbilhão: quem leva Elias para o alto é o vento.

A ausência de um túmulo abriu espaço para uma expectativa que atravessa a Bíblia inteira. O último capítulo de Malaquias anuncia o envio de Elias antes do dia do Senhor, e os Evangelhos discutem se João Batista cumpre isso. Elias reaparece ainda uma vez, ao lado de Moisés, na cena da transfiguração.

2 Reis 2:11

11E aconteceu que, indo eles falando, eis que um carro de fogo com cavalos de fogo separou os dois; e Elias subiu ao céu num turbilhão.

Tradução: Edição Chama da Fé

Leia devagar: o carro de fogo aparece para separar Elias de Eliseu, e a subida é atribuída ao turbilhão. É um caso raro em que a imagem que ficou na cultura contradiz a sintaxe do versículo.

Malaquias 4:5

5Eis que eu vos envio o profeta Elias, antes que venha o grande e temível dia do SENHOR.

Tradução: Edição Chama da Fé

O anúncio que faz de Elias uma figura de expectativa, e não apenas de memória. É a passagem que está por trás das perguntas sobre João Batista nos Evangelhos.

Tiago 5:17

17Elias era tão humano quanto nós, e orou insistentemente para não chover; e não choveu sobre a terra por três anos e seis meses.

Tradução: Edição Chama da Fé

A leitura que o Novo Testamento faz dele, e ela é deliberadamente antiépica: insiste em que Elias era gente igual a qualquer um, e credita o resultado à insistência da oração.

O que o texto não diz

Personagens bíblicos acumulam camadas de tradição que a Escritura não sustenta. Separar as duas coisas não diminui a história — devolve a ela o que está de fato escrito.

  • O que se costuma dizer

    Elias subiu ao céu numa carruagem de fogo.

    O que a Escritura traz

    No versículo, o carro e os cavalos em chamas entram em cena para apartar Elias de Eliseu, e a subida é atribuída ao turbilhão. O veículo cumpre a função de separar os dois; o que leva o profeta é o vento. As três edições consultadas dizem a mesma coisa neste ponto.

  • O que se costuma dizer

    Depois do vento, do terremoto e do fogo, Deus falou numa voz mansa e delicada.

    O que a Escritura traz

    A edição exibida nesta página traz uma voz agradável e suave. Outras trazem ali um sopro leve, uma brisa ou um assobio — sem a palavra voz. A cena é a mesma e o que se ouve muda de tradução para tradução, o que faz diferença para quem constrói o sermão em cima da palavra escolhida.

  • O que se costuma dizer

    Elias era um homem de fé inabalável, sem crise nem medo.

    O que a Escritura traz

    No capítulo imediatamente posterior à maior vitória dele, o texto o mostra fugindo de uma ameaça, sentado no deserto, pedindo para morrer e afirmando estar sozinho — o que o próprio livro depois desmente. O socorro que recebe é comida, água e sono, antes de qualquer palavra.

  • O que se costuma dizer

    Elias foi o único profeta que não morreu.

    O que a Escritura traz

    O texto de fato não narra a morte dele, e é sobre isso que se apoia a expectativa do retorno anunciada em Malaquias. Vale só registrar que ele não é o único caso do gênero no Antigo Testamento: de Enoque, no capítulo 5 do Gênesis, o texto diz que sumiu por ter sido levado, e não registra morte nenhuma.

Onde essa pessoa aparece

1 Reis 17:1

1Então Elias Tisbita, que era dos moradores de Gileade, disse a Acabe: Vive o SENHOR Deus de Israel, diante do qual estou, que não haverá chuva nem orvalho nestes anos, a não ser por minha palavra.

Tradução: Edição Chama da Fé

A entrada dele na Bíblia, sem genealogia e sem relato de chamado.

1 Reis 18:21

21E aproximando-se Elias a todo o povo, disse: Até quando hesitareis vós entre dois pensamentos? Se o SENHOR é Deus, segui-lhe; e se Baal, ide depois dele. E o povo não respondeu palavra.

Tradução: Edição Chama da Fé

A pergunta ao povo no Carmelo, e o silêncio que a responde.

1 Reis 18:36-38

36E quando chegou a hora de oferecer-se o holocausto, chegou-se o profeta Elias, e disse: SENHOR Deus de Abraão, de Isaque, e de Israel, seja hoje manifesto que tu és Deus em Israel, e que eu sou teu servo, e que por mandado teu fiz todas estas coisas.

37Responde-me, SENHOR, responde-me; para que conheça este povo que tu, ó SENHOR, és o Deus, e que tu voltaste atrás o coração deles.

38Então caiu fogo do SENHOR, o qual consumiu o holocausto, e a lenha, e as pedras, e o pó, e ainda sugou as águas que estavam no sulco.

Tradução: Edição Chama da Fé

A oração curta e o fogo que desce sobre o altar encharcado.

1 Reis 19:4-8

4E ele se foi pelo deserto um dia de caminho, e veio e sentou-se debaixo de um junípero; e desejando morrer, disse: Basta já, ó SENHOR, tira minha alma; que não sou eu melhor que meus pais.

5E lançando-se debaixo do junípero, ficou dormido: e eis que logo um anjo que lhe tocou, e lhe disse: Levanta-te, come.

6Então ele olhou, e eis que a sua cabeceira uma torta cozida sobre as ascuas, e um vaso de água: e comeu e bebeu e voltou-se a dormir.

7E voltando o anjo do SENHOR a segunda vez, tocou-lhe, dizendo: Levanta-te, come: porque grande caminho te resta.

8Levantou-se, pois, e comeu e bebeu; e caminhou com a força daquela comida quarenta dias e quarenta noites, até o monte de Deus, Horebe.

Tradução: Edição Chama da Fé

O colapso no deserto e o tratamento que ele recebe: comida, água e sono, duas vezes.

1 Reis 19:11-13

11E ele lhe disse: Sai fora, e põe-te no monte diante do SENHOR. E eis que o SENHOR que passava, e um grande e poderoso vento que rompia os montes, e quebrava as penhas diante do SENHOR: mas o SENHOR não estava no vento. E depois do vento um terremoto: mas o SENHOR não estava no terremoto.

12E depois do terremoto um fogo: mas o SENHOR não estava no fogo. E depois do fogo uma voz agradável e suave.

13E quando o ouviu Elias, cobriu seu rosto com seu manto, e saiu, e parou-se à porta da cova. E eis que chegou uma voz a ele, dizendo: Que fazes aqui, Elias?

Tradução: Edição Chama da Fé

O vento, o terremoto, o fogo — e o que vem depois deles.

2 Reis 2:11

11E aconteceu que, indo eles falando, eis que um carro de fogo com cavalos de fogo separou os dois; e Elias subiu ao céu num turbilhão.

Tradução: Edição Chama da Fé

A saída de cena, com o carro de fogo separando os dois e o turbilhão levando Elias.

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