O que é jejum na Bíblia?
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Jejum na Bíblia é abrir mão de comida por um tempo determinado para dedicar atenção a Deus, quase sempre junto com oração. Aparece no luto, no arrependimento e antes de decisões importantes. Jesus jejuou quarenta dias e ensinou a jejuar sem demonstrar, e Isaías 58 liga o jejum verdadeiro à justiça com o próximo.
- Escrito por
- Maria Luisa Navarro Schmitt
- Revisado por
- Raphael Navarro Schmitt
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O jejum bíblico não é dieta nem penitência isolada. Ele quase nunca aparece sozinho: vem colado à oração, ao luto, ao arrependimento coletivo ou a uma decisão que a comunidade precisa tomar. Em Atos, a igreja de Antioquia jejua antes de enviar Barnabé e Saulo, e volta a jejuar no momento de despedi-los.
Não há na Bíblia um calendário obrigatório de jejum para o cristão, nem uma duração fixada. O que existe são exemplos de durações muito diferentes, do jejum de um dia ao período de quarenta dias que Jesus passa no deserto antes de começar a pregar — e este último é narrado como preparação, não como exigência a ser imitada ao pé da letra.
A instrução de Jesus sobre o assunto é curta e trata de um risco só: o de jejuar para ser notado. Ele orienta o oposto do que a prática costuma produzir — arrumar-se, lavar o rosto, seguir o dia normalmente. O jejum que aparece por fora, no texto, já cobrou seu preço adiantado.
Há ainda uma pergunta que os próprios contemporâneos fizeram: por que os discípulos de Jesus não jejuavam como os de João Batista e os fariseus. A resposta dele muda o eixo da discussão de regra para tempo — enquanto o noivo está presente, não se jejua; virão dias em que ele será tirado, e então sim. Jejum, nessa lógica, responde a uma situação, e não a um dia do calendário.
O texto mais severo sobre o tema é de Isaías, e ele não questiona a prática, e sim o resultado. Um povo que jejua e continua oprimindo é descrito como praticando o jejum errado; o certo é definido por soltar amarras, repartir o pão e acolher o desabrigado. É o critério que a Bíblia oferece para avaliar o próprio jejum, e ele aponta para fora de quem jejua.
O que dizem as passagens
16E quando jejuardes, não vos mostreis tristonhos, como os hipócritas; porque eles desfiguram seus rostos, para parecerem aos outros que jejuam. Em verdade vos digo que eles já receberam sua recompensa.
17Porém tu, quando jejuares, unge a tua cabeça e lava o teu rosto,
18Para não pareceres às pessoas que jejuas, mas sim ao teu Pai, que está em segredo; e teu Pai, que vê em segredo, ele te recompensará.
A única instrução direta de Jesus sobre como jejuar, e ela é inteira sobre discrição. Está no mesmo bloco do Sermão do Monte que trata de esmola e de oração, com a mesma estrutura: uma prática legítima arruinada quando vira demonstração.
1Então Jesus foi levado pelo Espírito ao deserto para ser tentado pelo diabo.
2E depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, teve fome.
O jejum mais longo do Novo Testamento, situado antes do início do ministério público. O texto o apresenta como preparação para um momento específico — o que é diferente de apresentá-lo como medida de espiritualidade a ser repetida.
18Os discípulos de João e os dos fariseus estavam jejuando; então vieram lhe perguntar: Por que os discípulos de João e os dos fariseus jejuam, e os teus discípulos não jejuam?
19Jesus lhes respondeu: Podem os convidados do casamento jejuar enquanto o noivo estiver com eles? Enquanto tiverem o noivo consigo, eles não podem jejuar.
20Mas dias virão, quando o noivo lhes for tirado; e então naquele dia jejuarão.
A pergunta que a época fez, e a resposta que desloca o jejum de obrigação para ocasião. A imagem do noivo indica que a prática acompanha o momento vivido, e não um dia marcado — e prevê explicitamente que haverá tempo de jejuar.
2E tendo eles prestado serviço ao Senhor, e jejuado, o Espirito Santo disse: Separai-me a Barnabé e a Saulo, para a obra para a qual eu os tenho chamado.
3Então jejuando, e orando, e pondo as mãos sobre eles, os despediram.
Jejum comunitário ligado a decisão, e não a arrependimento. É a passagem que mostra a prática funcionando dentro da vida normal da igreja primitiva, associada a discernimento e a envio.
12Por isso agora o SENHOR diz: Convertei-vos a mim com todo o vosso coração, com jejum, choro e pranto.
13Rasgai vosso coração, e não vossas vestes.Convertei-vos ao SENHOR vosso Deus, porque ele é piedoso e misericordioso, que demora para se irar, e é grande em bondade, e que se arrepende de castigar.
O convocatório de jejum coletivo mais conhecido do Antigo Testamento, com uma ressalva embutida: a instrução seguinte contrapõe rasgar o coração a rasgar as vestes. O gesto exterior sozinho é recusado no mesmo fôlego em que a prática é pedida.
6Por acaso não é este o jejum que eu escolheria: que soltes os nós de perversidade, que desfaças as amarras do jugo, e que libertes aos oprimidos, e quebres todo jugo?
7Por acaso não é também que repartas teu pão com o faminto, e aos pobres desamparados recolhas em casa, e vendo ao nu, que o cubras, e não te escondas de tua carne?
O critério de avaliação. O texto não descarta o jejum: redefine o que conta como jejum aceito, em termos de libertar oprimidos, repartir alimento e abrigar quem não tem casa. Quem quer medir o próprio jejum tem aqui a régua bíblica.