Hebreus 4:16 — um trono de onde se sai socorrido
16Portanto, acheguemo-nos com confiança ao trono da graça, para que possamos receber misericórdia e encontrar graça para sermos socorridos no tempo adequado.
Um trono é, em toda parte, lugar de sentença. Aqui é o lugar de onde vem socorro, e o verbo que abre a frase é de aproximação.
Resposta rápida
Hebreus 4:16 convida a se aproximar do trono de Deus sem medo, para receber misericórdia e ajuda na hora exata em que ela faz falta. O convite não se apoia no mérito de quem chega: vem logo depois da descrição de um sumo sacerdote que passou pelas mesmas provações humanas.
- Escrito por
- Raphael Navarro Schmitt
- Revisado por
- Maria Luisa Navarro Schmitt
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É um versículo de convite, e quase sempre é citado sem o argumento que o sustenta. Sozinho, ele parece pedir ousadia de quem lê. Lido no lugar onde está, pede o contrário: pede que a pessoa pare de calcular se merece.
A frase começa com uma conjunção de consequência. Ou seja, alguma coisa já foi dita, e é por causa dela que a aproximação é possível.
Onde este versículo aparece
A carta aos Hebreus passa capítulos comparando o sacerdócio de Cristo com o sistema de sacrifícios do Antigo Testamento, em que o acesso ao lugar mais interno do templo era raro, regulado e feito por um só homem em um só dia do ano.
Os dois versículos anteriores montam a base: há um sumo sacerdote que atravessou os céus, e ele não é indiferente às fraquezas de quem o procura, porque foi provado em tudo. O versículo 16 é a conclusão prática disso, e o capítulo 5 volta a explicar o ofício.
O que ele diz
A palavra que abre a frase é de deslocamento, não de espera. Não se diz que o pedido será ouvido de longe; diz-se que a distância pode ser encurtada por quem pede, e que a postura para isso é de confiança, não de negociação.
A imagem é deliberadamente contraditória. Trono, em qualquer cultura antiga, é onde se julga e onde se aguarda audiência. Ao colar a esse móvel a palavra graça, o texto diz que o lugar de decisão sobre a pessoa é o mesmo de onde sai o favor que ela não conseguiu ganhar.
São duas coisas prometidas, e elas não são sinônimas. Misericórdia tem a ver com o que ficou para trás, com aquilo que a pessoa preferia que não fosse contado. Graça tem a ver com o que vem pela frente, com força para o que ela ainda vai ter de atravessar.
Vale medir o que o versículo não promete. Ele não diz que a dificuldade será removida, nem que a ajuda chega na hora que a pessoa marcou. A expressão sobre o tempo é de oportunidade: o socorro vem quando serve, e quem define isso não é quem está com pressa.
O que fazer com isso hoje
Há um momento em que a maioria das pessoas para de orar, e não é quando perde a fé: é quando acha que fez por merecer o silêncio. Este versículo foi escrito exatamente contra esse cálculo, e o argumento dele não é sobre a qualidade de quem reza.
Um teste prático para hoje: se você adiou uma oração até melhorar de comportamento, ela é justamente a que o texto manda fazer primeiro. A ordem aqui é chegar perto e depois receber — e não o contrário.
O que dizem as passagens
15Pois não temos um Sumo Sacerdote que não possa se compadecer das nossas fraquezas; mas sim, um que foi provado em tudo, conforme a nossa semelhança, mas sem pecado.
O versículo imediatamente anterior, e é dele que sai o "portanto". A coragem de chegar perto não vem de quem chega: vem de quem está lá.
Uma oração para levar
Senhor, eu ando adiando esta conversa até ficar apresentável. Já que o convite é de chegar assim mesmo, eu chego. Trata do que ficou para trás e me dá força para o que vem. Amém.