Colossenses 4:2 — orar como quem monta guarda, e não como quem espera inspiração
2Perseverai na oração, vigiando nela com gratidão.
Três verbos numa frase curta, e o do meio é o mais estranho: vigiar. É vocabulário de sentinela em turno da noite, não de devoção tranquila.
Resposta rápida
Colossenses 4:2 junta três coisas numa linha: persistir na oração, ficar alerta dentro dela e fazer isso com gratidão. O verbo do meio é o de quem monta guarda à noite. Paulo escreve preso, e a instrução vale justamente para quando a oração não está sendo respondida do jeito esperado.
- Escrito por
- Raphael Navarro Schmitt
- Revisado por
- Maria Luisa Navarro Schmitt
- Publicado em
- Tempo de leitura
- 2 min de leitura
Boa parte do desânimo com a oração vem de esperar que ela funcione como inspiração: quando dá vontade, quando o coração está no lugar. Este versículo trata a oração de outro jeito, mais próximo de um posto de trabalho.
Onde este versículo aparece
A carta aos Colossenses foi escrita da prisão, e este versículo abre o bloco final de instruções práticas, depois das orientações sobre a vida em casa e no trabalho.
O que vem logo em seguida mostra o que Paulo tinha em mente: ele pede que orem também por ele, para que Deus lhe abrisse caminho de anunciar — e menciona as correntes que carrega.
Ou seja, quem manda perseverar está preso e não sabe se sairá. A instrução não vem de alguém cujas orações estavam sendo respondidas com rapidez.
O que ele diz
O primeiro verbo é de persistência: continuar, não largar. Ele pressupõe que haverá motivo para largar, o que já é honesto. Ninguém precisa de instrução para insistir naquilo que dá resultado imediato.
O segundo é o mais interessante. Vigiar, na Escritura, é o que faz a sentinela no muro e o que Jesus pediu aos discípulos no Getsêmani, quando eles dormiram. Não é concentração mística: é atenção, a de quem espera alguém chegar e não quer perder o momento. Orar assim é ficar acordado para uma resposta que pode vir de um jeito que você não previu.
O terceiro parece decorativo e não é. A gratidão é o que impede a persistência de virar cobrança. Sem ela, insistir em oração degenera rapidamente em uma lista de reclamações repetidas; com ela, a mesma insistência se apoia em algo que já foi recebido. É um detalhe pequeno com efeito grande sobre o tom de quem ora há muito tempo pela mesma coisa.
O que fazer com isso hoje
Na prática, o versículo empurra para o hábito e não para o clima. Um horário fixo, mesmo curto, faz mais pelo que ele pede do que meia hora esporádica de inspiração. Sentinela não escolhe o turno pelo humor.
E há o teste da gratidão, útil para quem está cansado de pedir a mesma coisa: antes do pedido de hoje, nomeie uma coisa recebida. Não para trocar de assunto, mas porque a oração que só sabe pedir costuma azedar antes de ser respondida.
Uma oração para levar
Senhor, me ensina a continuar orando quando eu não sinto nada. Mantém meus olhos abertos para a resposta que talvez venha diferente, e minha boca com o que agradecer hoje. Amém.