Apocalipse 4:11: digno és tu de receber glória, honra e poder
11Digno és tu, Senhor, de receberes glória, honra e poder; porque tu criaste todas as coisas, e por causa da tua vontade elas são e foram criadas!
A palavra "digno" era aclamação de imperador no mundo em que este livro circulou. Dirigi-la a outro, num texto lido em voz alta, era um gesto político além de litúrgico.
Resposta rápida
Apocalipse 4:11 é a aclamação dos vinte e quatro anciãos diante do trono: Deus é digno de receber glória, honra e poder porque criou todas as coisas, e elas existem e foram criadas por causa da vontade dele. O fundamento apresentado é a criação.
- Escrito por
- Raphael Navarro Schmitt
- Revisado por
- Maria Luisa Navarro Schmitt
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É o primeiro cântico da grande visão do trono e, curiosamente, ele não menciona salvação. O motivo dado é anterior a qualquer história de redenção: as coisas existem porque alguém quis. O cântico sobre o Cordeiro vem só no capítulo seguinte.
Onde este versículo aparece
O capítulo 4 abre a parte visionária do Apocalipse, com uma porta aberta no céu e um trono. Em volta dele estão vinte e quatro anciãos e quatro seres viventes.
Nos dois versículos anteriores, os seres viventes dão glória e ação de graças, e os anciãos se prostram e lançam as próprias coroas diante do trono. O nosso versículo é o que eles dizem depois de largar as coroas.
O que ele diz
O gesto que antecede a frase é parte do sentido. Coroas são símbolos de autoridade recebida, e os anciãos as devolvem antes de falar. A aclamação sai da boca de quem acabou de abrir mão do que tinha — não é elogio de espectador.
A razão apresentada é curta e ampla: tu criaste todas as coisas. Não se agradece por um benefício recebido, e sim pela existência de tudo. Isso torna a aclamação independente da situação de quem canta, o que importa muito num livro escrito para comunidades sob pressão.
A última parte tem uma ordem estranha e proposital: elas são e foram criadas. O verbo no presente vem antes do verbo no passado. A existência atual é mencionada primeiro, e só depois se explica de onde ela veio — a vontade de Deus é apresentada como causa de as coisas continuarem existindo, e não apenas de terem começado.
O que fazer com isso hoje
O cântico é útil para dias em que não há nada a agradecer no plano pessoal. Ele não depende de notícia boa: o motivo que dá está disponível para quem acabou de perder alguma coisa. E o gesto anterior à frase sugere o que fazer com aquilo que a gente insiste em segurar como se fosse mérito próprio.
Uma oração para levar
Senhor, hoje eu não tenho boas notícias para trazer. Mesmo assim, tu criaste tudo isto, e eu largo aqui o que eu venho segurando como se fosse meu. Amém.