1 Coríntios 10:31: comer, beber e a glória de Deus
31Portanto, ao comer, ou ao beber, ou ao fazer qualquer coisa, fazei tudo para a glória de Deus.
A frase parece um lema geral e é, no contexto, a conclusão de uma discussão sobre comida. É isso que a torna concreta em vez de decorativa.
Resposta rápida
1 Coríntios 10:31 conclui que comer, beber e qualquer outra coisa devem ser feitos de modo a glorificar a Deus. A frase encerra um trecho sobre carne oferecida a ídolos, e o critério que ela introduz aparece logo depois: não ser motivo de escândalo para ninguém.
- Escrito por
- Raphael Navarro Schmitt
- Revisado por
- Maria Luisa Navarro Schmitt
- Publicado em
- Tempo de leitura
- 2 min de leitura
Impressa em caneca, a frase soa como uma orientação geral de atitude. Lida no lugar onde está, é o desfecho de uma disputa concreta entre pessoas que discordavam sobre uma questão prática — e ela resolve a disputa deslocando o critério.
Onde este versículo aparece
Paulo vinha tratando de um problema real na Corinto do primeiro século: boa parte da carne vendida na cidade tinha passado por um templo, e os cristãos discutiam se podiam comê-la.
Nos versículos imediatamente anteriores, ele diz que se alguém avisar que aquilo foi sacrificado a ídolos, o outro deve deixar de comer — não por causa da própria consciência, mas da consciência de quem avisou.
Depois do nosso versículo, ele completa: não ser motivo de escândalo para judeus, gregos nem para a igreja, e diz que ele mesmo busca o proveito de muitos, e não o seu.
O que ele diz
A frase amplia o alcance de propósito: começa por comer e beber, os atos mais banais possíveis, e termina em "qualquer coisa". A escolha de exemplos é deliberada — se os atos que ninguém considera espirituais entram, não sobra área neutra.
O que "para a glória de Deus" significa aqui não é vago, porque o próprio parágrafo define. No contexto, glorificar a Deus naquela decisão era abrir mão de um direito que se tinha, por causa de outra pessoa. O critério é relacional, não estético.
Vale dizer o que a frase não é: um selo para colar em qualquer atividade que você já ia fazer. Usada assim, ela vira carimbo. Usada como Paulo a usa, ela é o oposto — o motivo pelo qual ele deixa de fazer algo que poderia fazer.
O que fazer com isso hoje
A pergunta que o versículo devolve não é "isto é permitido?", e sim "o que isto faz com quem está ao meu lado?". Vale para o que você publica, para o que você bebe na frente de quem está tentando parar, para o direito que você tem e poderia não exercer. É um critério mais difícil que o da permissão, e bem mais útil.
Uma oração para levar
Senhor, me tira do costume de perguntar só se posso. Ensina-me a perguntar o que a minha liberdade faz com quem está do meu lado. Amém.