Oração antes de viajar: o texto completo e o anjo que ele pede por companhia
A oração
Senhor onipotente e misericordioso, dirigi-nos com segurança pelo caminho da paz e da prosperidade, livres de desastres e de qualquer perigo. Acompanhai-nos sempre nesta viagem pelo nosso santo anjo da guarda, a fim de que voltemos à nossa habitação sãos e salvos, sem acidente, sem perseguição, sem nenhum contratempo na nossa vida. Amém!
Em resumo
Esta é uma oração de família, composta por Adelan Maria Brandão para ser rezada antes de uma viagem. Ela pede direção no caminho, o anjo da guarda por companhia e a volta em casa sãos e salvos — o mesmo desenho das bênçãos de viagem da tradição católica.
- Escrito por
- Raphael Navarro Schmitt
- Revisado por
- Maria Luisa Navarro Schmitt
- Publicado em
- Tempo de leitura
- 5 min de leitura
Quando rezar
Com a mala no carro e antes de dar a partida, ou no portão de embarque. Serve para a viagem inteira e não só para a saída: a ida e o regresso estão na mesma frase, e por isso ela também se reza na estrada de volta.
A oração pede para viajar “livres de desastres e de qualquer perigo”, e é preciso dizer com todas as letras o que este site pode e não pode afirmar sobre isso. Pedir uma coisa não é o mesmo que recebê-la garantida, e nenhuma página aqui promete viagem sem acidente — prometer seria escrever contra quem rezou esta oração e mesmo assim se acidentou, e essa pessoa existe. A própria Bíblia guarda o caso mais claro disso: em Atos 27, Paulo recebe a palavra de que ninguém vai morrer, e o navio afunda assim mesmo.
O vocativo faz mais trabalho do que parece. “Onipotente e misericordioso” são os dois atributos que precisam estar juntos para o resto da oração fazer sentido: só o poder sozinho não é motivo para pedir nada com confiança, e só a misericórdia sozinha não tem como atender. É a fórmula clássica das orações de abertura da liturgia latina, e a autora começa por ela antes de dizer o que quer.
O anjo entra como companhia, e não como blindagem. A oração não pede que o anjo remova o perigo da estrada: pede que ele acompanhe — “nesta viagem” —, que é uma coisa mais modesta e muito mais próxima do que a Escritura descreve. Em Tobias, o anjo caminha ao lado do rapaz o percurso inteiro, sem que ele perceba, e o resultado que o texto registra no fim é ter sido conduzido e trazido de volta.
E vale a ressalva prática, que a oração não dispensa: cinto, pneu calibrado, descanso antes de pegar a estrada, e não sair para uma viagem longa depois de um dia inteiro de trabalho. Rezar e revisar o carro não competem entre si. Se você quiser uma segunda oração para o mesmo momento, escrita para este site e com outro tom, ela está na lista de continuidade no fim desta página.
De onde vem esta oração
Quando surgiu Composição de família, sem data registrada
A oração foi composta por Adelan Maria Brandão e chegou a esta página pela família que a reza. Não tem edição publicada e não veio de devocionário. A data em que foi escrita não está registrada, e esta página não a inventa. A redação vai como ela escreveu, com a pontuação dela e com o ponto de exclamação no Amém.
O desenho da oração é o de uma família antiga de orações de viagem. A tradição católica tem um conjunto de textos para quem parte, rezados antes de sair, e eles costumam pedir sempre as mesmas quatro coisas, quase sempre nesta ordem: que o caminho seja dirigido, que os perigos sejam afastados, que um anjo acompanhe, e que se volte para casa. Esta oração pede exatamente essas quatro, nessa ordem. Não dá para dizer se a autora conhecia alguma dessas fórmulas ou se chegou ao mesmo lugar pelo mesmo motivo — e é por isso que esta página a publica como composição dela, que é o que se sabe, e não como versão de coisa nenhuma, que é o que não se sabe.
O “nosso santo anjo da guarda” que ela nomeia é o mesmo do Santo Anjo que muita criança brasileira decora antes de qualquer outra oração. A ligação entre anjo e estrada é antiga e tem endereço no cânone católico: o livro de Tobias narra uma jornada inteira em que o companheiro contratado para o caminho é, sem que o rapaz saiba, um anjo — e o que ele diz ao pai quando volta é justamente que foi conduzido e trazido de volta em segurança.
Detalhes pouco conhecidos
A oração pede a volta, e não só a ida
Há uma palavra na lista de perigos que não é de hoje
O que dizem as passagens
20Eis que eu envio o anjo diante de ti para que te guarde no caminho, e te introduza no lugar que eu preparei.
O verso que está por trás de qualquer oração que peça um anjo para a estrada: alguém é enviado adiante para guardar no caminho e conduzir até o lugar. Repare nos dois verbos — guardar e introduzir —, que são exatamente os dois que esta oração pede.
3Ele me conduziu e me trouxe de volta em segurança. Recebeu o dinheiro de Gabael. Fez com que eu tivesse a minha esposa. E afastou dela o demônio. Deu alegria aos pais dela. A mim, livrou-me de ser devorado pelo peixe. Quanto a ti, fez também que visses a luz do céu. E assim fomos cumulados de todos os bens por meio dele. Que poderíamos nós dar-lhe que fosse digno destas coisas?
O balanço da viagem, feito pelo rapaz depois de voltar: foi conduzido e trazido de volta em segurança. É a frase que esta oração pede antecipadamente. Este livro não está nas Bíblias de 66 livros — veja o artigo sobre os deuterocanônicos.
11Porque ele ordenou aos anjos quanto a ti, para que guardem todos os teus caminhos.
A promessa de guarda angélica “em todos os teus caminhos”, que é o texto de onde a devoção ao anjo da guarda tira a linguagem que usa. Vale ler o versículo seguinte sabendo que é ele o citado na tentação de Jesus: a promessa não foi escrita para ser testada.
22Mas agora eu vos exorto a terdes bom ânimo; porque haverá nenhuma perda de vida de vós, além somente da perda do navio.
23Porque esta mesma noite esteve comigo um anjo de Deus, a quem eu pertenço e a quem eu sirvo;
24Dizendo: Não temas, Paulo; é necessário que tu sejas apresentado a César; e eis que Deus tem te dado a vida a todos quantos navegam contigo.
25Portanto, homens, tende bom ânimo; porque eu creio em Deus que assim será, conforme o que me foi dito.
A passagem mais honesta da Bíblia sobre proteção em viagem, e o contrapeso desta página. Há um anjo, há uma palavra clara, e há o aviso de que o navio será perdido: a garantia cobre as pessoas e não a embarcação — e o naufrágio acontece mesmo assim.