Romanos 8:15: o espírito de adoção e o fim do medo
15Pois não recebestes o espírito de escravidão, para voltardes ao medo; mas recebestes o Espírito de adoção como filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai!
Paulo contrapõe dois regimes: o de escravo, que produz medo, e o de filho adotado, que produz uma palavra dita em casa. Aba é o termo aramaico do cotidiano familiar, não um título litúrgico.
Resposta rápida
Romanos 8:15 diz que os cristãos não receberam um espírito de escravidão que os leve de volta ao medo, e sim o Espírito que os torna filhos adotivos, e é nele que clamam chamando Deus de Pai. O contraste é entre dois regimes de relação: o do servo com medo e o do filho em casa.
- Escrito por
- Raphael Navarro Schmitt
- Revisado por
- Maria Luisa Navarro Schmitt
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O capítulo 8 de Romanos é onde a carta muda de temperatura, e este versículo é a dobradiça. Ele não trata de sentir menos medo por esforço, e sim de uma mudança de posição — e é a posição que muda o que a pessoa pode dizer.
Onde este versículo aparece
Depois de sete capítulos sobre lei, pecado e incapacidade humana, Paulo passa a descrever a vida conduzida pelo Espírito. O versículo anterior afirma que quem é guiado pelo Espírito de Deus é filho de Deus, e o seguinte diz que o próprio Espírito confirma isso. O versículo 15 fica entre os dois e explica que tipo de relação está em jogo.
O que ele diz
A palavra adoção tinha um sentido jurídico preciso para quem lia isso em Roma. Um adotado passava a ter os direitos de filho legítimo, incluindo herança, e o vínculo não podia ser desfeito com a facilidade de um contrato de trabalho. Não é uma metáfora sentimental; é uma mudança de estado civil.
O contraste com a escravidão é onde o versículo dói. Paulo supõe que existe uma religião de servo, e que ela produz medo: medo de errar, de perder o lugar, de ser descartado por baixo desempenho. Ele não diz que esse medo é imaginação. Diz que ele pertence a um regime que não é mais o do leitor.
A palavra Aba fecha o argumento sem argumentar. É aramaico doméstico, o modo como se chamava um pai dentro de casa, e Paulo a preserva sem traduzir, mesmo escrevendo em grego para uma igreja em Roma. O sinal de que alguém saiu do regime de medo, aqui, não é uma doutrina bem formulada: é o vocativo que lhe sai na hora de pedir socorro.
O que fazer com isso hoje
Vale para quem reza como quem presta contas. Se cada oração começa por justificar a própria existência, ou por adiantar desculpas, este versículo indica que o regime está errado — não a sinceridade da pessoa, e sim a posição em que ela se colocou.
Uma prática simples: comece uma oração hoje sem preâmbulo, chamando Deus do jeito mais direto que você conseguir. O texto sugere que essa é a linguagem esperada de quem foi adotado, e não uma liberdade que ainda precisa ser merecida.
Uma oração para levar
Pai, eu falo contigo como quem teme perder o lugar, e não é assim que me chamaste. Tira de mim o medo que me faz medir cada palavra. Ensina-me a te procurar como filho, mesmo nos dias em que eu não tenho nada de bom para apresentar. Amém.