Mateus 6:34 — o problema devolvido ao tamanho de um dia
34Não andeis, pois, ansiosos pelo dia de amanhã, porque o amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.
A última frase é a mais honesta do trecho: cada dia tem o seu mal. Jesus não promete dias bons, promete que eles vêm um de cada vez.
Resposta rápida
Mateus 6:34 fecha o discurso sobre ansiedade com uma questão de escala: não carregue o dia de amanhã hoje. A frase não proíbe planejamento — proíbe habitar antecipadamente um dia que ainda não chegou. E termina admitindo que cada dia já vem com dificuldade suficiente.
- Escrito por
- Maria Luisa Navarro Schmitt
- Revisado por
- Raphael Navarro Schmitt
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A ansiedade quase nunca é sobre hoje. É sobre a soma de todos os dias que ainda não chegaram, vividos de uma vez só. Este versículo trata exatamente desse cálculo.
Onde este versículo aparece
É o último versículo do bloco sobre preocupação, que começou com a ordem de não se inquietar com comida e roupa e passou pelos pássaros e pelos lírios.
O versículo anterior tinha dito o que vem primeiro: o Reino e a justiça. Este diz em que unidade de tempo isso é feito.
O público é de gente pobre da Galileia, e o amanhã que os preocupava não era carreira: era colheita, doença e imposto.
O que ele diz
A ordem tem alvo bem definido: o dia seguinte. Não é uma proibição de prever, poupar ou organizar — a própria Escritura elogia previsão em outros lugares. O que está proibido é sofrer hoje uma dor cuja data ainda não chegou.
A imagem do meio, nesta edição, é a de um amanhã que cuida de si mesmo. É quase uma piada séria: o dia seguinte é tratado como alguém capaz de administrar as próprias contas, e portanto dispensado da sua ajuda antecipada.
A frase final é a mais notável, e raramente é citada junto. Jesus não diz que os dias serão bons: diz que cada um tem o seu mal, e que isso já basta. É uma concessão realista, e é justamente ela que impede o versículo de soar como otimismo.
O que fazer com isso hoje
A prática que ele sugere é simples de descrever e difícil de fazer: quando a preocupação aparecer, perguntar se aquilo é uma tarefa de hoje. Se for, faça. Se não for, o versículo está te dando permissão explícita para adiar o sofrimento.
À noite, quando o cálculo costuma piorar, funciona melhor ainda em forma de pergunta: o que exatamente eu posso fazer sobre isso antes de dormir? Quase sempre a resposta é nada, e o versículo autoriza fechar o dia com o assunto em aberto.
Uma oração para levar
Senhor, eu vivo dias que ainda não chegaram. Devolve-me ao tamanho de hoje, e guarda o amanhã contigo enquanto eu durmo. Amém.