Mateus 6:13: por que algumas Bíblias terminam o Pai Nosso aqui e outras não
13E não nos conduzas à tentação, mas livra-nos do mal.
Dois pedidos, e o primeiro é o mais discutido do Pai Nosso: a formulação sugere, em várias línguas, que Deus conduziria alguém à tentação. Esta edição termina no segundo pedido, sem a doxologia.
Resposta rápida
Mateus 6:13 fecha o Pai Nosso com dois pedidos: não ser conduzido à tentação e ser livrado do mal. A frase sobre reino, poder e glória não está nos manuscritos gregos mais antigos de Mateus, e por isso aparece em algumas edições e não em outras. Esta edição termina no segundo pedido.
- Escrito por
- Maria Luisa Navarro Schmitt
- Revisado por
- Raphael Navarro Schmitt
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É a linha do Pai Nosso que gera duas perguntas frequentes e independentes: por que a oração termina diferente em cada Bíblia, e por que se pede a Deus algo que ele não faria.
Onde este versículo aparece
O Pai Nosso aparece no Sermão do Monte, logo depois de Jesus corrigir a oração feita para impressionar. É apresentado como modelo, e é curto de propósito.
A versão de Lucas é ainda mais curta e não traz este pedido final da mesma forma. Comparar as duas ajuda a ver que o texto foi transmitido como modelo, e não como fórmula fixa palavra por palavra.
O que ele diz
O primeiro pedido é o que mais gera discussão. A formulação, tanto em grego quanto nas traduções, soa como se Deus pudesse conduzir alguém à tentação — o que a carta de Tiago nega explicitamente. As leituras propostas incluem entender o verbo como permitir, ou entender o pedido como não ser deixado sozinho na hora do teste. Em 2019 a Igreja Católica adotou uma formulação diferente no italiano, o que reacendeu o debate. Nenhuma leitura é obrigatória, e este site não escolhe entre elas.
O segundo pedido é mais simples e mais amplo. A palavra traduzida por mal pode ser lida como o mal em geral ou como o maligno, e as duas leituras aparecem em traduções sérias.
Sobre a doxologia — reino, poder e glória — o dado é textual e pacífico. Ela não está nos manuscritos gregos mais antigos de Mateus, e aparece num documento cristão muito antigo ligado ao uso litúrgico. Por isso as edições divergem: umas seguem os manuscritos mais antigos, outras a tradição de uso. A diferença não é doutrinária.
O que fazer com isso hoje
Se você reza o Pai Nosso numa comunidade e sente falta do final que aprendeu, agora sabe por quê. A diferença é de base textual e de tradição litúrgica, e não indica que uma versão esteja errada.
E há um uso do primeiro pedido que não depende do debate. Pedir para não entrar na tentação é reconhecer que a força de vontade tem limite — e que evitar a situação é mais realista do que resistir dentro dela.
O que dizem as passagens
9Vós, portanto, orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome.
O começo da mesma oração, quatro versículos antes. Ler o Pai Nosso inteiro mostra a proporção: mais pedidos sobre pão, perdão e proteção do que sobre qualquer outra coisa.
41Vigiai e orai, para que não entreis em tentação. De fato, o espírito está pronto, mas a carne é fraca.
Jesus repete a palavra tentação no Getsêmani, ligando-a a vigiar e orar. É a aplicação prática do pedido, feita na noite mais difícil.
Uma oração para levar
Pai, me livra do que eu não vou conseguir enfrentar, e me tira de perto do que me derruba. Não me deixa sozinho na hora do teste. Amém.