Pular para o conteúdo

Lucas 22:42: a oração do Getsêmani pede e entrega, nessa ordem

Lucas 22:42

42Dizendo: Pai, se tu quiseres, passa este copo de mim; porém não se faça minha vontade, mas a tua.

Tradução: Edição Chama da Fé

Duas metades que quase nunca aparecem juntas nas citações: um pedido franco para que aquilo não aconteça, e uma entrega. O pedido vem primeiro, e o texto não o trata como fraqueza.

Resposta rápida

Em Lucas 22:42, no monte das Oliveiras, Jesus pede ao Pai que afaste dele aquele cálice e, na mesma frase, submete o próprio querer à vontade do Pai. As duas metades importam: primeiro o pedido, dito sem disfarce; depois a entrega, que não anula o pedido.

Publicado em
Tempo de leitura
2 min de leitura

É a oração mais citada em situações de desfecho incerto, e a mais mal-entendida. Muita gente a usa como fórmula de resignação antecipada, dita para não parecer exigente. O texto faz o contrário: pede primeiro, e pede alto.

Onde este versículo aparece

Depois da última ceia, Jesus vai ao monte das Oliveiras, como era seu costume, e manda os discípulos orarem para não entrarem em tentação. Ele se afasta alguns passos, o equivalente a um arremesso de pedra, ajoelha e faz esta oração. Lucas acrescenta em seguida que ele orava mais intensamente, em angústia, e que aquilo lhe custou o corpo inteiro.

O que ele diz

A ordem das duas metades é o ensino. Jesus não começa pela submissão: começa pelo pedido de que aquilo passe. E o pedido é concreto, sem rodeio teológico. Quem lê rápido inverte a ordem e transforma a oração num gesto de conformidade, quando ela é, antes disso, um ato de franqueza.

A submissão que vem depois também não é passiva. Ela é dita por alguém que acabou de expressar o que queria e que continua orando depois — Lucas registra que a intensidade aumentou, não diminuiu. Entregar a decisão não é o mesmo que parar de se importar com o resultado.

Vale observar o que a cena não oferece. O cálice não é afastado. Se este versículo é modelo de oração, então o modelo inclui receber não como resposta e continuar chamando aquele a quem se pede de Pai. É por isso que ele serve para quem já ouviu não.

O que fazer com isso hoje

Se você tem evitado pedir aquilo que realmente quer, com medo de estar pedindo errado, esta cena autoriza o pedido. Diga o que você quer. A entrega vem depois, e vem melhor quando o pedido foi verdadeiro.

E se a resposta já veio, e foi não, o versículo continua servindo — talvez sirva mais. Ele mostra alguém que orou com o corpo inteiro, não foi atendido no que pediu, e mesmo assim seguiu adiante. A angústia registrada aqui não é falha de fé; é o que a fé parece num jardim à noite.

Uma oração para levar

Pai, vou dizer com todas as letras o que eu queria que acontecesse, porque tu já ouviste esse pedido antes. E, quando eu terminar de pedir, ajuda-me a dizer a segunda parte de verdade: que seja a tua vontade, e não a minha. Amém.