Isaías 7:14: o sinal dado a Acaz, e por que a palavra "virgem" é discutida
14Por isso o Senhor, ele mesmo, vos dará um sinal: eis que a virgem conceberá, e fará nascer um filho, e ela chamará seu nome Emanuel.
Um sinal e um nome. O nome é a parte que os dois lados da discussão tratam igual — Emanuel significa Deus conosco — e é ele que carrega o conteúdo do sinal, seja qual for a leitura adotada sobre a criança.
Resposta rápida
Isaías 7:14 é um sinal oferecido ao rei Acaz durante uma crise política: uma criança nascerá e se chamará Emanuel, Deus conosco. A palavra hebraica traduzida por virgem designa uma jovem em idade de casar, e a tradução grega antiga usou um termo mais específico. Mateus cita o versículo aplicando-o a Jesus.
- Escrito por
- Raphael Navarro Schmitt
- Revisado por
- Maria Luisa Navarro Schmitt
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É um dos versículos mais disputados da Bíblia, e a disputa é antiga, não moderna. Vale começar pelo que o texto faz no lugar em que está, antes de chegar ao uso posterior.
Onde este versículo aparece
Acaz é rei de Judá e está sob pressão de uma aliança de dois reinos vizinhos. Isaías vai até ele com uma mensagem de calma e o convida a pedir um sinal; Acaz recusa, com uma justificativa piedosa que o texto trata como evasiva.
É nesse ponto que o sinal é dado assim mesmo. Os versículos seguintes falam de um prazo curto: antes que a criança saiba distinguir o bem do mal, a ameaça terá passado. O sinal tem, portanto, uma função imediata naquela crise.
O que ele diz
A palavra hebraica usada aqui designa uma jovem em idade de casar, sem afirmar nem negar virgindade. Existe em hebraico outra palavra, mais específica, e Isaías não a usa. Isso é ponto pacífico entre estudiosos de todas as tradições.
A tradução grega feita por judeus antes do cristianismo verteu o termo por uma palavra que aponta mais claramente para virgindade. Foi essa tradução que circulou no mundo de língua grega, e é dela que Mateus se serve ao citar o versículo aplicando-o ao nascimento de Jesus.
Daí as leituras se organizam. A leitura judaica entende o sinal cumprido no próprio século VIII, numa criança daquela época. A leitura cristã entende que o texto tem um cumprimento maior, sem necessariamente negar o primeiro — e as tradições cristãs discutem entre si como articular os dois níveis. O que nenhuma leitura disputa é o significado do nome.
O que fazer com isso hoje
Para quem chega aqui em dezembro, o versículo tem um uso que independe da discussão: ele diz que o sinal de Deus, num momento de pânico político, foi uma criança. Não um sinal de poder, não uma explicação — um nascimento.
E para quem chega por causa de um debate, vale um passo antes de citar. Saber que a palavra é discutida, e por quê, torna a conversa mais honesta e costuma torná-la mais produtiva do que a citação seca.
O que dizem as passagens
13Então Isaías disse: Ouvi agora, ó casa de Davi: Achais pouco cansardes aos homens, para cansardes também a paciência do meu Deus?
O versículo imediatamente anterior, com o tom irritado que precede o sinal. Ele mostra que o sinal não é resposta a um pedido, e sim a uma recusa.
23Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamarão seu nome Emanuel, que traduzido é: Deus conosco.
A citação de Isaías no Evangelho, com a tradução do nome incluída. É o texto que estabelece a leitura cristã, e ele cita a versão grega.
Uma oração para levar
Senhor, tu te chamas Deus conosco, e é disso que eu preciso hoje mais do que de explicação. Fica perto enquanto eu não entendo. Amém.