Isaías 30:15: a oferta que foi recusada
15Pois assim diz o Senhor DEUS, o Santo de Israel: Com arrependimento e descanso, ficaríeis livres; com calma e confiança teríeis força; mas vós não quisestes.
O versículo desta página.
Resposta rápida
Isaías 30:15 apresenta uma oferta em duas partes: com arrependimento e descanso viria a libertação, e com calma e confiança viria a força. A frase termina registrando a recusa — mas vós não quisestes. É oferta recusada, e não conselho aceito.
- Escrito por
- Maria Luisa Navarro Schmitt
- Revisado por
- Raphael Navarro Schmitt
- Publicado em
- Tempo de leitura
- 2 min de leitura
A primeira metade do versículo é bonita e circula sozinha em quadros e devocionais. A metade que fecha é seca e raramente aparece junto: o povo não quis.
Ler a frase inteira muda o que ela é. Não é uma receita de vida tranquila oferecida a leitores relaxados; é o diagnóstico de uma escolha que já tinha sido feita, e feita na direção oposta.
Onde este versículo aparece
Judá estava negociando apoio militar do Egito para enfrentar a Assíria. Os capítulos em volta desmontam esse plano, e o versículo seguinte cita a resposta que o povo deu: fugiremos a cavalo, cavalgaremos em montarias rápidas.
A resposta profética é irônica e imediata: eles fugirão mesmo, mas os perseguidores serão mais rápidos. O que a passagem descreve é uma corrida perdida antes de começar.
O que ele diz
Os dois pares são condições, e não sentimentos. Arrependimento e descanso não descrevem estado de espírito: descrevem parar de correr atrás de alternativa e voltar. Calma e confiança descrevem onde a força é encontrada.
Nesta edição, o primeiro par é traduzido com arrependimento — uma palavra de mudança de rumo. Outras traduções trazem ali a ideia de voltar ou de repouso. Vale saber, porque o vocabulário muda ligeiramente o que se está sendo convidado a fazer, embora o alvo continue o mesmo: abandonar o plano do Egito.
A última cláusula é o que impede a leitura sentimental. Deus não é apresentado forçando ninguém; a oferta ficou de pé e foi recusada. Isso deixa o versículo com um gosto de perda, que é exatamente o gosto que Isaías queria deixar.
O que fazer com isso hoje
A pergunta prática é qual é o seu Egito: o plano de emergência que você aciona antes de orar. Quase todo mundo tem um, e ele costuma ser mais rápido, mais concreto e mais controlável.
A alternativa oferecida aqui não é passividade, é ordem de operações. Primeiro parar, depois decidir. É pouco natural para quem está com pressa, e é o único conselho que a passagem dá.
O que dizem as passagens
16Ao invés disso, dissestes: Não, é melhor fugirmos sobre cavalos. Cavalgaremos em rápidos cavalos! Por isso vós fugireis, mas vossos perseguidores serão ainda mais rápidos.
A resposta que o povo deu, citada pelo próprio profeta, com a ironia embutida: montarias rápidas contra perseguidores mais rápidos ainda. É o retrato do plano alternativo em ação.
18Por isso o SENHOR esperará para ter piedade de vós; e por isso ele se exaltará, para se compadecer de vós; pois o SENHOR é Deus de juízo; bem-aventurados todos os que nele esperam.
O que Deus faz depois da recusa, três versículos adiante: espera, para ter piedade. A passagem não termina no fracasso, e essa é a parte que quase nunca é citada junto.
Uma oração para levar
Senhor, eu costumo correr antes de te perguntar. Me ensina a parar primeiro. E quando eu recusar a tua oferta, não desistas de mim como eu desisto de ti. Amém.