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O que é o Apocalipse?

Resposta rápida

Apocalipse é o último livro da Bíblia, e a palavra significa revelação, não catástrofe. Foi escrito por João, na ilha de Patmos, como carta a sete igrejas que sofriam perseguição (Apocalipse 1:9). Usa visões, números e símbolos — gênero comum na literatura judaica da época — e termina com Deus renovando todas as coisas.

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O nome engana em português. Apokálypsis, no grego, quer dizer desvelamento: tirar o pano de cima de alguma coisa para que ela seja vista. O livro se abre exatamente assim, anunciando uma revelação de Jesus Cristo. Em algum momento a palavra virou sinônimo de desastre, e é por isso que tanta gente abre o livro esperando um calendário do fim do mundo e sai frustrada ou assustada.

A segunda coisa que muda a leitura é material: isto é uma carta, com destinatário. Quem escreve se identifica como João e diz estar na ilha de Patmos por causa da palavra de Deus. Se ele é o apóstolo João, a tradição afirma que sim e os estudiosos discutem — o texto em si não vai além do nome. Os capítulos 2 e 3 se dirigem, uma a uma, a sete igrejas reais da Ásia Menor, na Turquia de hoje, cada uma com elogio e repreensão específicos. Havia gente com nome e endereço lendo aquilo sob pressão. Qualquer leitura que pule esses primeiros leitores começa errada.

A terceira é de gênero. Apocalíptica era uma forma literária conhecida no judaísmo daquele período, com regras próprias — visões, animais, números com significado, imagens emprestadas de Daniel e Ezequiel. Sete quer dizer plenitude, e não sete unidades; doze aponta para o povo de Deus; o próprio livro diz que o 666 é número humano e convida quem tem entendimento a calculá-lo. Ler símbolo como estatística é o erro mais comum, e é o que produz as previsões de data que falham há dezenove séculos.

A chave do livro inteiro está no capítulo 5, e é uma inversão. Anunciam o Leão da tribo de Judá, o vencedor; João olha e vê um Cordeiro que parece ter sido morto. O poder que abre o livro selado é o de alguém que foi morto e venceu assim. Todo o resto — as trombetas, as pragas, a besta, a batalha — passa por essa lente. Sem ela, o Apocalipse vira filme de catástrofe; com ela, vira a afirmação de que quem parecia derrotado é quem está no trono.

Sobre como aplicar o livro à história, cristãos leem de quatro maneiras principais, e elas convivem dentro do catolicismo e do meio evangélico igualmente. A leitura preterista vê ali sobretudo os acontecimentos do primeiro século, sob o Império Romano. A historicista lê o livro como um panorama da história da Igreja. A futurista o entende como descrição de eventos ainda por vir. E a idealista o toma como retrato simbólico do conflito permanente entre o bem e o mal, válido em qualquer época. Nenhuma delas é a leitura oficial de um grupo contra outro, e esta página não escolhe entre as quatro.

Vale reparar em como o livro termina, porque isso contradiz a fama dele. Não acaba em fogo: acaba em uma cidade descendo, numa criação renovada e em Deus morando junto das pessoas. E as últimas palavras não são uma ameaça — são um pedido para que Jesus venha. É um livro de consolo escrito para gente perseguida, e não um manual de terror.

O que dizem as passagens

Apocalipse 1:1-3

1Revelação de Jesus Cristo, a qual Deus lhe deu, para mostrar a seus servos as coisas que devem acontecer em breve; e as enviou por meio de seu anjo, e as informou ao seu servo João.

2O qual deu testemunho da palavra de Deus, e do testemunho de Jesus Cristo, e de tudo o que ele viu.

3Bem-aventurado é aquele que lê, e também os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas nela escritas; porque o tempo está próximo.

Tradução: Edição Chama da Fé

O livro diz de si mesmo o que é logo na primeira linha: uma revelação, entregue e transmitida. E há uma bênção declarada para quem lê e para quem ouve — sinal de que o texto foi feito para leitura em voz alta numa reunião, e não para decifração solitária.

Apocalipse 1:9

9Eu, João, (que também sou vosso irmão, e companheiro na aflição, e no Reino, e na paciência de Jesus Cristo), estava na ilha chamada Patmos, por causa da palavra de Deus, e por causa do testemunho de Jesus Cristo.

Tradução: Edição Chama da Fé

Antes de qualquer visão, o autor se apresenta como alguém que sofre junto com os leitores, e não acima deles. É a informação histórica mais importante do livro — ele foi escrito de dentro da perseguição, para quem estava dentro dela.

Apocalipse 5:5-6

5E um dos anciãos me disse: Não chores; eis que o Leão da tribo de Judá, a raiz de Davi, venceu, para abrir o livro e soltar seus sete selos.

6E eu olhei, e eis que no meio do trono, e dos quatro animais, e no meio dos anciãos, um Cordeiro que estava como se tivesse sido morto, e tinha sete chifres, e sete olhos, que são os sete espíritos de Deus enviados para toda a terra.

Tradução: Edição Chama da Fé

A inversão que organiza o livro inteiro. Anuncia-se um Leão; o que aparece é um Cordeiro com marcas de quem foi morto. Guarde esta imagem: é a lente pela qual todas as cenas de poder que vêm depois devem ser lidas.

Apocalipse 13:18

18Aqui está a sabedoria: aquele que tem entendimento, calcule o número da besta, porque é número humano; e seu número é seiscentos e sessenta e seis.

Tradução: Edição Chama da Fé

O versículo mais explorado do livro, e repare no que ele de fato pede: entendimento e cálculo, e a informação de que o número é humano. Séculos de tentativas de encaixar nomes de contemporâneos aí falharam todas — o que não é surpresa, já que o cálculo foi proposto a leitores do primeiro século.

Apocalipse 21:3-5

3E eu ouvi uma grande voz do céu, dizendo: Eis que o tabernáculo de Deus está com os homens, e com eles habitará, e eles serão seu povo, e o próprio Deus estará com eles, e será seu Deus.

4E Deus limpará toda lágrima dos olhos deles; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem mais haverá dor; porque as primeiras coisas já passaram.

5E o que estava sentado sobre o trono disse: Eis que eu faço novas todas as coisas.E ele me disse: Escreve, porque esta palavras são verdadeiras e fiéis.

Tradução: Edição Chama da Fé

O destino do livro é este, e não o fogo: Deus passando a morar junto das pessoas, e uma declaração de que tudo é feito novo. Repare no verbo — não é substituir por outra coisa, é renovar o que existe.

Apocalipse 22:20

20Aquele que dá testemunho destas coisas diz: Certamente logo venho. Amém! Sim, vem, Senhor Jesus!

Tradução: Edição Chama da Fé

As últimas palavras do livro e da Bíblia inteira não são uma sentença nem um aviso: são um pedido para que ele venha. É assim que termina o texto que ficou com fama de assustar.

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